março 16, 2017

Eles também gostam de ler... #1

Podem ser atores, jogadores de futebol, políticos, cantores, ... Mas independentemente das suas ocupações eles também gostam de ler. E o Entrelinhas dá-te a conhecer quais os livros preferidos de alguns famosos que decerto já ouviste falar.


Johnny Depp - Pela estrada fora, Jack Kerouac

Escrito em três semanas num enorme rolo de papel de Telex, Pela Estrada Fora é publicado em 1957. O grande sucesso junto do público transformou-o imediatamente num livro de culto, capaz de definir, e em certa medida até de fundar, um estilo de vida e de pensamento. Se é verdade que a Beat Generation retirou do romance e da biografia de Jack Kerouac os traços mais marcantes e universais da sua fisionomia, dos seus êxtases, esperanças e desesperos, não é menos verdade que o mal-estar nevrótico de que ele se faz intérprete constitui o primeiro desafio clamoroso ao American Dream do pós-guerra, acabando por encarnar simbolicamente todas as formas de oposição, todas as bolsas de resistência e de marginalidade em relação aos poderes hegemónicos. A viagem rumo ao Sul, empreendida por Sal e Dean (na realidade, o autor e amigo Neal Cassady, irredutível dropout), ao longo das infidáveis estradas do Texas e do México, é definitivamente uma viagem em direcção ao nada, na qual o que interessa não é chegar, mas caminhar, deslocar-se indefinidamente na esperança, ainda que vã, de exorcizar uma ânsia e uma mal-estar crescentes, a despeito das perigosas vias de fuga proporcionadas pelo álcool, a marijuana e a benzedrina. A necessidade iniludível de se rebelar, o valor da amizade, a procura de autenticidade e de uma difícil pertença, oferecem as coordenadas elementares de um universo jovem marcado pela sombra negra da dissolução e da morte: um universo que exigia então, e continua a exigir, o respeito e a autocrítica devidos às vítimas de um silencioso e mortífero drama histórico. 


Daniel Radcliffe - O Mestre e Margarida, Mikhail Bulgakov 

Margarita e o Mestre publicado pela primeira vez na revista Moskva, mais de vinte anos após a morte do autor — a primeira parte em Novembro de 1966 e a segunda em Janeiro do ano seguinte. Mikhail Bulgákov trabalhara nesta sua obra durante mais de dez anos, tendo escrito diferentes versões. A última foi ditada à sua companheira Elena Bulgákova, quando o autor se encontrava já muito doente, em Março de 1940. O romance é composto por duas narrativas ligadas entre si — uma passa-se na Moscovo dos anos 30 e a outra na Jerusalém antiga. As personagens são estranhas, complexas, ambíguas e algumas delas sobrenaturais, como Woland. As principais são o Mestre e a sua amante, Margarita. Como afirma Samuel Thomas, «o romance pulsa de maliciosa energia e invenção. Por vezes uma dura sátira da vida soviética, uma alegoria religiosa da dimensão do Fausto, de Goethe, e uma indomável fantasia burlesca, é uma obra de riso e terror, de liberdade e servidão — um romance que explode as verdades oficiais com a força de um carnaval descontrolado».

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