abril 27, 2017

Opinião: Sob Suspeita, Minette Walters

Título: Sob Suspeita
Autor: Minette Walters
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722336093

Sinopse:
 Numa pequena e pacata localidade no condado de Hampshire, Patrick O’Riordan, um irlandês desempregado, foi acusado de um duplo homicídio. Rapidamente, o choque e a incredulidade dão lugar à cólera e os pais e a prima de Patrick vêem-se alvo de ameaças e ataques, sem ninguém do seu lado a não ser Siobhan Lavenham, uma senhora irlandesa casada com um inglês, que põe em risco a sua própria reputação no seio da comunidade por questionar a imparcialidade da investigação. No entanto, Siobhan rapidamente se vê envolvida numa espiral de dúvidas, pois a verdade compõe-se de múltiplas faces e os segredos e a ambição enraizados na alma humana vão muito além das avaliações baseadas nas aparências…

     De certa forma, trata-se de um livro com temas pesados como, preconceito, incitação à violência e vandalismo, à medida que os habitantes da aldeia se unem em aversão à família O'Riordan, pelo simples facto de serem irlandeses. À medida que a história se desdobra, fica claro que o mal-entendido e a ignorância são realmente o problema. Eu gostei da maneira como Minette Walters estruturou a obra usando flashbacks, movendo os capítulos entre duas alturas diferentes.
  Para um livro tão curto é notavelmente complexo e mergulhado em cenários alternativos o que é excelente. Acho que gostei tanto por ser tão condensada e pelo seu fim totalmente inesperado.

Minette Walters, de origem inglesa, estudou francês na Universidade de Durham. Trabalhou como editora e redactora numa revista de ficção até se tornar freelancer em revistas femininas. Após ter sido mãe de dois rapazes, interrompeu a actividade profissional até 1987, data em que escreveu o primeiro policial. Vencedora de inúmeros prémios, os seus cinco livros iniciais foram adaptados para televisão pela BBC e transmitidos não só no Reino Unido como no resto do mundo. 


abril 20, 2017

Opinião: A Ponte Invisível, Julie Orringer

Título: A Ponte Invisível
Autor: Julie Orringer
Editor: Livraria Civilização Editora
ISBN: 9789722633369

Sinopse: Paris, 1937. Andras Lévi, estudante de arquitetura, chega de Budapeste com uma bolsa de estudo, uma única mala e uma carta misteriosa que prometeu entregar a Claire Morgenstern, uma jovem viúva que vive na cidade. Quando Andras conhece Claire, fica preso na sua vida secreta e extraordinária. Ao mesmo tempo, a tragédia começa a assolar a Europa, colocando-os num estado de terrível incerteza. De uma remota aldeia húngara às óperas grandiosas de Budapeste e Paris, do desespero do inverno nos Cárpatos a uma vida inimaginável em campos de trabalhos forçados, A Ponte Invisível narra a história de um casamento que sobrevive ao desastre e de uma família ameaçada de aniquilação e unida pelo amor e pela história.

     O novo romance, A Ponte Invisível, é quase tudo o que Como Respirar Debaixo D’água não era. Enquanto as histórias de Orringer, principalmente na América contemporânea, eram concentradas, sutis e microcósmicas, este romance é uma história de amor grande e um passeio quase épico pela história da Europa, pouco antes da Segunda Guerra Mundial.
      O herói da Ponte Invisível é Andras Lévi, um jovem judeu húngaro que se muda para Paris para estudar arquitetura em 1937. Andras é um estudante de bolsa de uma família pobre, inseguro de si mesmo, tímido. Apesar de alguns encontros assustadores com ameaças e violência antissemitas, Andras dedica-se à escola, a aprender francês e a trabalhar num teatro. Ele finalmente encontra Claire Morgenstern, uma professora de dança húngara mais velha que mora em Paris, e os dois se apaixonam, rapidamente e sem fôlego, apesar das dúvidas de Klara. À medida que os nazistas começam a ganhar poder, Andras e Claire voltam para a Hungria, tentando encontrar um porto seguro para sua nova família, mesmo quando o exército alemão começa a fechar.
     A Ponte Invisível pode não ser o romance que os fãs de Orringer estavam à espera, mas é tão poderoso e assustador quanto a sua estreia. Sem dúvida, uma escritora a seguir, como bastante talento e ousadia.

Julie Orringer é a autora da premiada coletânea de contos How to Breathe Underwater, que foi considerada um Livro Notável pelo The New York Times. Foi a vencedora do Prémio Revelação da The Paris Review.

abril 16, 2017

Eles também gostam de ler... #2

Podem ser atores, jogadores de futebol, políticos, cantores, ... Mas independentemente das suas ocupações eles também gostam de ler. E o Entrelinhas dá-te a conhecer quais os livros preferidos de alguns famosos que decerto já ouviste falar.


George Clooney - Guerra e Paz, Lev Tolstoi


A imensidão da obra torna-a difícil de resumir de forma clara e concisa. Além disso, o autor alinhava sua narrativa com muitas reflexões pessoais que tendem a quebrar o ritmo da leitura. A ação se instala entre 1805 e 1820, ainda que, em realidade, a essência da obra se concentre em determinados momentos-chave: a Guerra da Terceira Coalizão (1805), a Paz de Tilsit (1807) e enfim a Campanha da Rússia (1812). No entanto seria falso acreditar que "Guerra e Paz" trate apenas das relações franco-russas à época. Além das batalhas de Schoengraben, Austerlitz e de Borodino, Tolstói descreve com bastante cuidado e precisão os milhares de nobres da Rússia czarista, abordando diversos temas então em moda; a questão dos servos, as sociedades secretas e a guerra. Os personagens de "Guerra e Paz" são tão abundantes e ricamente detalhados que é difícil encontrar na obra um "herói", apesar de ser Pierre Bézoukhov o personagem mais recorrente.



Lady Gaga - Cartas a Um Jovem Poeta, Rainer Maria Rilke


Atraídos pela sua poesia, era frequente alguns jovens escreverem a Rilke, falando-lhes dos seus problemas e aspirações. De 1903 a 1908 Rilke enviou um notável conjunto de cartas a um jovem candidato a poeta , sobre a poesia, o amor e a sensibilidade , revelando também, desta forma, a sua relação com a vida e a dificuldade que um espírito sensível tem em sobreviver num mundo duro e implacável.  




E tu? Que famosos gostarias de ter no próximo Eles também gostam de ler... ?

abril 13, 2017

Opinião: Veronika Decide Morrer, Paulo Coelho

Título: Veronika Decide Morrer
Autor: Paulo Coelho
Editor: Pergaminho
ISBN: 9789727112944
Nº de páginas: 248


SINOPSE: A 11 de Novembro de 1997, Veronika prepara-se, aparentemente, para se deitar, como todas as noites. Mas desta vez, limpa o quarto, desliga o aquecimento, lava os dentes e recolhe-se debaixo dos lençóis com um objectivo em mente. Veronika decide morrer. Esta escolha não deixa de surpreender, pois é jovem, tem um emprego razoável e vive num pequeno apartamento, desfrutando do prazer de ter o seu próprio espaço. Vai a bares e discotecas, conhece rapazes interessantes e sai com alguns. Contudo, não é feliz. Alguma coisa falta na sua vida. Por isso, da mesa-de-cabeceira tira as quatro caixas de comprimidos para dormir, tomando um de cada vez até ao fim. À medida que se aproxima da morte, Veronika percebe que cada minuto da nossa existência constitui uma escolha entre viver ou desistir. Veronika desfruta de novos prazeres e descobre que a vida tem sempre algum sentido. Mas o tempo escasseia. Veronika decidiu morrer e agora não há como voltar atrás... « No dia 11 de Novembro de 1997, Veronika decidiu que havia - afinal! - chegado o momento de se matar.» É assim que começa o romance de Paulo Coelho.

Convencida que a vida não lhe trará nada de novo além das rotinas e sensações que vivencia diariamente, Veronika decide morrer, e é no momento em que é confrontada com a sua finitude que percebe que nunca se tinha permitido viver.
Paulo Coelho apela ao inconformismo que há em nós e que nos permite ser e não só existir, porque viver é muito mais que limitar-se a estar vivo. 
"Seja como a fonte que transborda e não como o tanque que contém sempre a mesma água."



Paulo Coelho, escritor brasileiro nascido em 1947, é considerado um importante fenómeno literário do século XX, tendo visto a sua obra O Alquimista o livro brasileiro mais vendido de sempre.

abril 06, 2017

Opinião: Anna Karénina, Lev Tolstói

                                                   Título: Anna Karénina
Autor: Lev Tolstói
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722351454
Nº de Páginas: 800

Sinopse: "Anna Karénina" é um retrato ímpar, na sua riqueza e densidade, da sociedade russa de finais do século XIX, que abrange diferentes estratos da população, actividades sociais, tendências ideológicas, polémicas económicas, sociais e políticas, e que encerra uma crítica acutilante à nova aristocracia russa da época. Os dramas familiares, com os seus problemas morais, a sua busca de um ideal para a vida em matrimónio, surgem em franca ligação com o panorama geral da vida, o sistema de valores, os hábitos, os conceitos éticos e religiosos. Mas é também uma das maiores histórias de amor da literatura universal, e uma das mais trágicas, protagonizada por Anna Karénina, a bela mulher de um aristocrata muito rico e o Conde Vrônsky, um galante oficial do exército. Com "Anna Karénina", Lev Tolstói elevou à perfeição o romance de realismo social e criou uma das heroínas mais amadas da literatura de todos os tempos. A presente edição foi traduzida directamente do russo por Nina Guerra e Filipe Guerra, distinguidos com o Grande Prémio de Tradução Literária APT/Pen Clube Português.

Anna Karénina à primeira vista tem tudo para ser feliz, um bom casamento, dinheiro, reputação e dona de uma beleza ímpar, cai de amores pelo conde Vrônsky.
Konstantin Lévin, personagem biográfica do autor, um homem à procura da felicidade e de um sentido para a sua vida apaixona-se pela jovem Kitty.
O amor carnal, arrebatador, pecaminhoso e egoísta em oposição ao amor carinhoso, equilibrado e familiar.
"As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira."



Lev Tolstói (1828-1910), pacifista e grande nome da literatura russa, tem perpetuadas na literatura universal duas das suas obras, Guerra e Paz e Anna Karénina.